Últimas semanas das férias do mês de julho, aquele friozinho gostoso, acompanhado pelo barulho da chuva, que sempre nos incentiva a dormir até a hora do almoço. Mas, a cada segundo que eu insistisse em manter meus olhos fechados o despertador tocava mais alto. Por sinal, maldita a hora que eu escolhi esse toque para me acordar! E, talvez pela primeira vez no ano, levantei ao invés de colocar o despertador no modo soneca.
Sair do quarto, com o dia ainda amanhecendo, de galocha e capa de chuva abóbora já foi uma novidade, surpreendente foi saber, depois de uma “chamadinha” do Prof. Fred, que sete e dez da manhã já era um horário muito tarde para eu ainda não ter descido para tomar café.
Café tomando, ao sair para a rua já foi fácil achar o restante dos alunos que estavam prontos: todos na rua de galochas e capa de chuva. Assim, às sete e meia, cada grupo foi para a reunião que tinha marcado. E lá foi o meu grupo (carinhosamente apelidado, por nós, de “Chuleta, Bisteca & CIA”) para a reunião na Casa do Agricultor. Como nós estamos responsáveis em desenvolver projetos que irão auxiliar os produtos agrícolas locais, há a necessidade de reconhecer um pouco mais a realidade local antes de pensarmos em qualquer coisa. Fomos atendidos pelo Fernando, diretor de Agricultura da Secretária de Desenvolvimento da cidade, e pelo Sr. Luiz. Bem abertos, recebemos muitas informações, algumas delas “jogadas”, que permitiram que nós começássemos a perceber a realidade local, mesmo ficando um pouco confuso em algumas horas. Seriam sete, oito ou quatro associações?
Logo depois encontramos com o Cacá, presidente da associação Pró-Leite, já pela conversa podemos perceber que o Cacá, provavelmente, cursou uma universidade. Não só pela forma dele falar, mas pelos termos: “demanda-oferta”, “livro caixa”, etc. Mal sabíamos o contraste que seria a conversa com o Sr. Pedro, à tarde. A grande dificuldade que notamos na Pró-Leite é a gestão da associação.
De tarde, seguimos pela estrada da cidade até um quilombo. No caminho paramos em uma vendinha simples, do Sr. Geraldo e logo depois partimos para a casa do Sr. Pedro, que para todo o grupo foi a parte mais emocionante do dia. O medo inicial que tivemos do pit-bull, que tomava conta da casa, foi logo quebrado pelo o sorriso do Seu Pedro. Com sua barba presa com elástico, e uma alegria contagiante, foi impossível recusar o convite para entrar em sua casa. Uma casinha simples, chão e parede de cimento. Do lado da geladeira desligada, um altar com várias imagens prendiam a nossa atenção. A Tati segurava a sua vontade de tirar a foto, Gustavo e eu tomávamos, sem ter gostado, o chá de amendoim que a esposa do Sr. Pedro nos ofereceu, enquanto a Paula observava cada coisa que estava escrita na parede.
A forma simples, e entusiasmada, que o Sr. Pedro falava prendia a nossa atenção, de certa forma é impossível escrever, agora de noite, a emoção que foi fazer aquela visita. Sair daquela casa com sensação que poderíamos ser uma solução para melhorar a vida simples, e de certa forma precária, do Seu Pedro era inevitável. Em apenas 24 horas saímos de um extremo e fomos para outro, ontem acordávamos no conforto da nossa casa em São Paulo e hoje tentávamos compreender como aquela família conseguia nos receber com tanto sorrisos naquela casa.
Não sabemos se, realmente, poderemos ser uma solução para o Seu Pedro, não sabemos se iremos fazer outras visitas como esta, mas, com certeza, nossa viagem para Barra do Turvo já está valendo à pena. Mesmo que a emoção de alguns não fosse perceptível, sabemos que esta experiência tocou cada um de uma forma diferente. E, vamos indo, hoje foi o primeiro dia que acordamos na cidade, e outros nove nos esperam.
Renato R. L. Nalini – RI
Primeiras impressões, quando mal sabíamos como essa viagem iria nos marcar… – agosto 7th, 2009
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