Quem sabe não “importamos” uma consultoria daqui. – julho 27th, 2009

Segunda-feira chuvosa, 11:00 am no QG (laboratório de uma escola)

Quantas coisas aconteceram desde a última vez que postamos. Para mim estes últimos 4 dias já valeram a viagem inteira, tanto pelo lado emocional como físico. Já que meus colegas vão demorar pra ler isso, (aqui só os alunos preferidos podem usar a internet =] ) pessoalmente acho que todos estão já estão um caco. Brincadeiras a parte, venho aqui para tentar traduzir pra vocês algumas sensações coletivas do nosso grupo.
Como a noite anterior deu a dica, hoje amanheceu chovendo novamente. O bom é que estamos fazendo jus a todos os cobertores, roupas de frio, capa de chuva e GALOCHA, calçado que eu pensei ser meramente “optativo”. No caso, uma vez que se chega em Barra do Turvo, você percebe que a única opção na eventualidade de não trazer uma galocha é decidir usar o mesmo tênis-meia-calça molhados todos os dias ou comprar uma. A chuva aqui não está dando trégua, mas a esperança é a última que morre, aliás, tenho até medo de tempo bom, aí que a galera não ia sossegar mesmo. Saibam que mesmo com esse tempinho-suicídio, Barra do Turvo continua sendo um dos lugares mais lindos que eu já vi.
Das muitas conversas que tivemos desde que chegamos, diria que o contato com as comunidades quilombolas no sábado foi o que mais me marcou. Fomos junto com o figura Eudon (cujo nome já ganhou diversas variações como Eldon, Euler, Eudo, Endon), secretário do turismo e cultura, a uma reunião das 4 principais comunidades de Barra do Turvo, sediada em Ribeirão Grande. Após o receio inicial de estarmos atrapalhando, “chegamos junto” e sentamos na roda como ouvintes de diversos temas. Fiquei particularmente encantada com Nilce, moradora de Ribeirão Grande e condutora da reunião, que representa uma das lideranças (mesmo que não oficial, ela passou o cargo de presidente da associação adiante) mais fortes que eu já vi. Com seu jeito “briguento e faladeiro” como ela mesma se diz, propunha discussões, explicava intenções de projetos para a comunidade, cobrava decisões das lideranças dos quilombos e no meio disso tudo ainda dava atenção pro Jonas e o Bio, seus adoráveis filhinhos, que passavam correndo no meio da sala.
Poderia escrever páginas e páginas sobre essa reunião (e provavelmente vou escrever no relatório), mas deixo aqui minha profunda admiração pela consciência dessas pessoas acerca de questões como a importância da organização e união entre as comunidades, a importância do líder representando uma coletividade e o bem-comum, a preservação de suas tradições sem deixarem de incorporar novas formas de produção e por fim a valorização de sua identidade quilombola, fundamental para a auto-estima de uma comunidade muito rica. Depois de tudo que já ouvi até agora, parece que nós é que estamos precisando de uma “consultoria”.

Amanda Gandolpho CSOS1 (a caminho do segundo)

8 Comments
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8 Responses to “Quem sabe não “importamos” uma consultoria daqui.”

  1. Mari disse:

    Mandoooca que saudades que eu já estou de você!
    Escrevam mais no blog, é muito legal ler como está sendo aí!
    Amo ler as notícias de vocês, mas bate uma tristeza de não estar aí viu!
    Na próxima viagem eu vou!
    Muitas saudades, anima essa galera aí e manda um beijão pra todo mundo!
    Beijooo
    Boa sorte com o trabalho!

  2. luiz fernando garcia disse:

    Amanda e moçada, só o final de seu texto já valeu todo o esforço desta ação. Este é o ponto: acabar com a nossa arrogância de nariz empinado e sentar para dialogar, aprendendo e ensinando, simultaneamente, na melhor relação de troca… Muito bom. Fiquei extremamente mais esperançoso com o futuro! Bom final de trabalho a todos.

  3. Nati disse:

    linddo, lindo..
    estou me moendo querendo saber maisss!!!!!!!!!

  4. Thaís Rahal disse:

    Estou extremamente feliz e entusiasmada com a evolução que a ESPM Social e todos os seus integrantes tiveram com o passar das gestões. Fiz parte da gestão de 2008.1 como controller e posso dizer que toda a Social deste semestre está passando por uma fase de transição, mais que isto, estão fazendo parte de uma época que pode ser reconhecida como um marco. Parabéns a todos que estão trabalhando nessa viagem e parabéns pelos coordenadores que conseguem, mesmo com tantos afazeres, dar valor à uma entidade tão importante para a ESPM e para a sociedade.

  5. Gustavo Amorim disse:

    Oi pessoal,como estão ai? Com certeza as experiencias devem estar cada vez melhores. Aqui também já está muito bem,
    e com os dias, cada vez a recuperaçao melhora. Tirando os furos na barriga que ja estão desaparecendo, tenho feito muitas
    coisas
    pra passar o tempo, agente sempre se adapta, e não está ruím não, ja vi um monte de filmes. Só que amanha vou tenho que sair
    de casa, nem qe seja pra ir no shooping:)
    E ai na Barra da “curva” como está? com o tempo voces devem estar conhecendo cada vez mais as pessoas, se apegando e fazendo
    novas amizades na cidade.Que ótimo. Assim sabendo como de que maneira melhor ajudar. No carro de carona com o seu LIMA,
    conversando com ele, me disse que eles do Hotel fazem todas as compras em Curitiba. Imagina o volume de comida que eles
    trazem. Se por acaso começassem a comprar na cidade, muitos seriam beneficidos.
    Ai na cidade, deve estar se tornando um ótimo desafio que com certeza todos vão se motivar cada vez mais. Deixo aqui
    o apoio e os votos de boa sorte a todos nesse projeto. Um grade abraço.

  6. Milena disse:

    Mann e todos!
    Quero saber mais quando vocês voltarem!
    não vejo a hora de saber todas as histórias daí!
    beijoss!

  7. Livia disse:

    Bixete! O texto ficou muito bom, voce deveria investir nessa sua veia literaria! Que bom saber que voces tiveram experiencias tao legais… bate ate um aperto de nao estar ai, mas na proxima ‘e nozes!

    Voces ja voltaram pra sao paulo, mas por favooor continuem alimentando o blog sobre o final da viagem… so pra matar a curiosidade!!!

    Parabens pessoal… mesmo…
    Bjao

  8. Ornella disse:

    Querida amiga,

    O seu texto traduz boa parte do que todos nos sentimos tanto nessa reuniao com os quilombolas quanto na viagem como um todo. Mas a parte que falta nao consegue ser traduzida em palavras. O nosso coracao guarda tudo isso.

    QUE SAUDADE.

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