O ponto de partida para quem trabalha no terceiro setor é a percepção de que este processo não pode ser visto como um paliativo assistencial que supre a ausência ou a ineficácia das políticas públicas. Ao contrário, deve ser um fator de conscientização para que o estado cumpra este papel. Isto não impede que o Terceiro Setor estabeleça alianças estratégicas, parcerias e ações com o governo. O foco mais importante é que as ONG devem ter autonomia e busquem um questionamento desta realidade.
No Instituto Gabi, esta visão acontece no tripé que sustenta o projeto social: Atendimento aliado à Cidadania e Participação. Ou seja: as famílias das pessoas com deficiência participam das atividades, mobilizações e outras iniciativas que fortalecem a autonomia. Neste movimento de inclusão social, elas são orientadas para que busquem seus direitos, sobretudo um atendimento digno para seus filhos com deficiência.
Outro aspecto importante neste processo é que muitas vezes a população está tão empobrecida que é preciso "dar-lhe" o alimento. Mas é preciso ajudá-las a buscar saídas para suas necessidades. Isto é, ensiná-las a pescar. Mais que isso, o Instituto Gabi procura criar condições para que a sociedade garanta este alimento. Ou seja: "Diante da fome, deve-se dar o peixe, mas deve-se ensinar a pescar e a buscar condições para que exista pesca".
Francisco Sogari
Presidente do Instituto Gabi
